A complexidade de Dark

Dark, a primeira produção original alemã da Netflix, chegou à plataforma em dezembro de 2017 e muita gente ainda não entendeu completamente a trama com suas linhas temporais distintas e as várias versões dos mesmos personagens. Agora, prestes a estrear sua terceira e úlltima temporada, relembramos tudo até aqui e soltarei todos os spoilers das temporadas 1 e 2 (cuidado!!!).
Na história, quatro famílias vivem em uma pequena cidade alemã, mas suas vidas mudam quando crianças desaparecem misteriosamente e os segredos obscuros das suas famílias começam a ser revelados. Para complicar, um apocalipse está prestes a acontecer. Dark é essencialmente uma série sobre viagem no tempo ambientada na cidade fictícia de Winden, na Alemanha. A narrativa inicialmente vai e volta entre 1953, 1986 e 2019, ciclos de 33 anos.

O sumiço de Mikkel
O primeiro mistério é o que aconteceu com o jovem Mikkel Nielsen (Daan Lennard Liebrenz), que desaparece na floresta no primeiro episódio. Filho do policial Ulrich Nielsen (Oliver Masucci), Mikkel foi parar em 1986, 33 anos antes do ano inicial da série (2019). O garoto faz de tudo para retornar para 2019, mas depois desiste e decide viver sua nova vida no passado. O rapaz é adotado por Ines Kahnwald (Anne Ratte-Polle) e torna-se um personagem que ganha atenção logo no começo da trama: o marido de Hanna Kahnwald (Maja Schöne) e pai de Jonas (Louis Hofmann), que comete suicídio logo no início da série. Mikkel consegue voltar no tempo porque existe um buraco de minhoca sob a cidade, uma das formas que a física já teorizou sobre a possibilidade de viajar pelo espaço-tempo. Para quem não sabe, essa teoria apareceu após a teoria da relatividade ser desenvolvida pelo físico alemão Albert Einstein.

Mikkel não é a única criança a desaparecer. Erik Obendorf (Paul Radom), Yasin Friese (Vico Mücke) e Mads Nielsen (Valentin Oppermann), esse último há 33 anos, são outros exemplos. Por sinal, Mikkel se perde ao ir com um grupo de adolescentes até as cavernas na tentativa de encontrar Erik. Mads não foi o único a ter um final triste. Erik e Yasin foram encontrados mortos em uma pilha de areia em 1953. Ambos aparecem com os tímpanos explodidos e com os olhos queimados. Isso aconteceu porque Erik, Yasin e Mads foram sequestrados para testes por Helge Doppler (Peter Schneider), um funcionário da Usina Nuclear, e o misterioso vilão Noah (Mark Waschke). Ulrich, pai de Mikkel, é o policial responsável pela investigação do sumiço dos adolescentes (e depois do próprio filho), mas tudo se complica quando ele encontra o primeiro corpo desses jovens, que não é de nenhum dos desaparecidos recentes, mas sim o de Mads, seu irmão sumido há 33 anos, por sinal, ele está com a mesma aparência que tinha na época do desaparecimento. Em 1986, Helge é obrigado a ajudar Noah na criação de uma máquina do tempo e as crianças são usadas como cobaias e morrem nos testes. Seus corpos são desovados em épocas diferentes para despistar a polícia.

Buraco de minhoca e viagem no tempo
A existência do buraco de minhoca se dá por conta de um acidente que aconteceu na usina nuclear, um dos pontos principais da trama. As entradas ficam localizadas exatamente embaixo do local que criou a distorção no espaço-tempo: as cavernas de Winden. Na física, um buraco de minhoca são duas “bocas” conectadas por um tubo. Se o buraco de minhoca é transponível, a matéria (inclusive pessoas) podem viajar de um lado a outro de forma segura. Isso não significa que essa conexão é sempre estável, entretanto. Por causa desse caminho entre os anos “base” da série, vários personagens podem viajar no tempo. Um exemplo é o policial Ulrich, pai de Mikkel (desaparecido em 2019) e irmão de Madds (desaparecido em 1986), descobre o que está acontecendo e consegue voltar para 1953 para tentar matar Helge (Tom Philipp) ainda era criança a fim de tentar evitar que seu filho seja capturado, no futuro mas o plano dá errado, Helge sobrevive e Ulrich acaba preso em outra década.

Outro exemplo é o sequestrador Helge (Hermann Beyer), que aparece idoso em 2019 em um asilo e, após ser confrontado por Ulrich, decide voltar ao passado para tentar convencer sua versão mais jovem dos anos 1980 a parar de ajudar Noah. Quando a sua versão não dá ouvidos, o velho tenta matar o jovem, mas a tentativa falha e só a versão de 2019 morre. Vale lembrar que Jonas é um dos personagens mais importantes da série. Filho de Michael, ele recebe uma carta que conta que Mikkel e seu pai são a mesma pessoa. Ele entra no túnel para ir atrás do garoto em 1986, mas é impedido de trazer o menino de volta por uma versão mais velha dele mesmo, que também viajou no tempo. Sua versão mais velha explica que se Jonas levasse o menino de volta para 2019, ele não casaria com Hanna e o próprio Jonas não existiria.

Futuro e passado
Eventualmente, após muita coisa acontecer, o Helge criança, por exemplo, morre nas mãos do antagonista Noah. Esse fato deveria fazer muita coisa mudar tanto em 1986 quanto em 2019, como, por exemplo, as crianças não seriam sequestradas e mortas. Só que todas as ações no passado já eram previstas no futuro e nada muda. Por isso, o ponto da série parece ser justamente a jornada de Jonas, tanto o de 2019 quanto o do futuro, para conseguir quebrar o ciclo de repetições. O próprio Jonas do futuro diz para sua versão mais jovem em 1986 que já viveu aquilo e que pode ajudar o rapaz, o que leva o jovem a um futuro pós-apocalíptico. Na série, fica difícil saber o que acontece primeiro e o que acontece depois. Mas quando tudo começa? Na verdade, tudo sempre existiu. Segundo o paradoxo de bootstrap, quando um objeto ou informação do futuro é enviado de volta ao passado, isso cria um ciclo interminável onde se perder a origem real. Ou seja, aquilo existe, mas é impossível saber quando foi criado. Por exemplo, se você viaja no tempo e mostra uma música para o autor antes dele a escrevê-la, de onde veio a música se ele a criou após ouvir a que você mostrou?

Na segunda temporada, Jonas se tornou o personagem mais importante da série, com várias versões diferentes. O Jonas de 2019 que acorda em 2053 e quase é enforcado por Elizabeth acaba indo parar em 1921, onde é recrutado por Noah para conhecer o grupo de Viajantes. O Jonas do futuro, que volta para 2019 para contar a verdade para a mãe e precisa impedir o início do novo ciclo (a destruição da usina).
O Jonas que viaja para 1921 descobre que ele também é Adam, o líder dos Viajantes. Adam possui uma massa “viva” com a qual é possível vaiajar para qualquer ano. Ele quer que Jonas viaje até a véspera do suicídio de seu pai, que seria o gatilho para tudo o que aconteceu depois, mas acaba sendo o responsável pelo acontecimento que foi evitar. Ou seja, Jonas descobre que foi ele mesmo, em sua versão Adam, quem orquestrou o suicídio do pai e a captura de Mikkel, tudo para manter o grande plano e mantendo os eventos temporais que ele considera corretos.
Jonas como Adam é um homem deformado pelas constantes viagens no tempo e hora aparece como antagonista com interesses pessoais, hora parece querer um bem maior. É uma grande incógnita.

Noah conduz os experimentos com as crianças com a máquina do tempo e é o vilão da primeira temporada, mas na segunda descobrimos que ele nada mais é do que um peão na mão de Adam. Ao ser revelado que o verdadeiro vilão, sabemos que Noah só segue suas ordens para salvar sua família do apocalipse. E quando ele descobre que seus amados não foram salvos, afinal não era a intenção de Adam, ele tenta matar seu líder, mas acaba sendo morto por sua irmã Agnes, que era uma das Viajantes. Noah se torna um personagem mais humano quando descobrimos que durante o pós-apocalipse ele se envolveu com Elizabeth (a deficiente auditiva de 2053) e os dois tem uma filha, Charlote, que é criada no passado. Charlote sabe que Noah é seu pai, mas ainda não sabe que Elizabeth é sua mãe. O problema é que, no fim, Noah casou com sua neta, mas isso é outro problema.

Apocalipse
Os momentos finais da temporada colocaram os personagens em posições estratégicas para se manterem vivos após o desastre da usina, o profetizado apocalipse.
As coisas se complicam quando Adam chega ao ano de 2020 para impedir que Jonas jovem interrompesse o processo que o levaria a tornar-se Adam em algum ponto do tempo, por isso, o líder dos Viajantes mata Martha, amada de sua versão mais jovem. Porém, Jonas jovem recebe a visita de outra Martha, que logo diz que não veio de um tempo diferente, mas sim de um universo diferente. Ela usa um dispositivo que parece a máquina do tempo aprimorada e os dois são levados para outro lugar.

O que esperar da terceira temporada
A última temporada precisa responder algumas questões: Como Jonas se tornou Adam? Porque os Viajantes começaram? Quem tem razão nessa guerra pelo tempo? É possível controlar o tempo? Quem é a outra Martha? Quem sobrevive ao apocalipse? Para onde Jonas leva Magnus, Bartosz e Franziska? Qual é o verdadeiro plano de Claudia? Vale lembrar que um dos grandes mistérios remanescentes de Dark é qual o verdadeiro plano de Claudia Tiedemann. As várias versões de Jonas acreditam que ela seja uma mentirosa e Adam também a chama de agente das sombras, mas a personagem diz querer parar os ciclos pelo bem de todos. Será? Bem, agora Dark não é só sobre viagens no tempo é também sobre multiverso e referências bíblicas. A trama deve ficar ainda mais complexa e interessante. Depois de duas temporadas impecáveis e complexas, a terceira tem tudo para impressionar mais uma vez.

A terceira temporada estreia em 21 de junho na Netflix.

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